Como migrar do MEI para ME ou EPP: quando fazer e como evitar erros

O MEI é um excelente ponto de partida para quem está começando, mas ele não foi criado para acompanhar empresas em crescimento. Quando o faturamento aumenta, manter-se no MEI pode gerar multas, cobrança de impostos retroativos e até travar oportunidades importantes para o negócio.

Neste conteúdo, você vai entender quando migrar do MEI, para qual modelo faz mais sentido, o que muda nos impostos e como fazer essa transição com segurança, sem sustos no caminho.

O que é o MEI e qual seu limite

O Microempreendedor Individual foi criado para formalizar atividades simples, com baixo faturamento e pouca estrutura. Por isso, ele possui regras bem definidas.

De forma geral, o MEI funciona assim:

  • Limite anual de faturamento, definido por lei e sujeito a atualização.
  • Proporcionalidade mensal, quando a empresa é aberta no meio do ano.
  • Lista específica de atividades permitidas, que pode mudar conforme regulamentação.
  • Principais restrições, como limite de contratação e impossibilidade de ter sócios.

Quando o negócio começa a crescer além dessas regras, é sinal de que o MEI já cumpriu seu papel inicial.

Sinais de que o MEI já não é suficiente

Muitos empreendedores permanecem no MEI por comodidade, sem perceber que o modelo já não atende mais à realidade do negócio.

Alguns sinais comuns de alerta são:

  • Faturamento próximo ou acima do teto permitido.
  • Dificuldade para emitir notas fiscais para todos os clientes.
  • Necessidade de contratar mais pessoas ou ter sócios.
  • Confusão frequente entre dinheiro pessoal e da empresa.
  • Pagamento de impostos sem clareza sobre quanto e por quê.

Quando esses pontos aparecem, a migração deixa de ser uma opção e passa a ser uma decisão estratégica.

O que muda ao sair do MEI

Ao migrar do MEI para outro porte, a empresa ganha estrutura, mas também assume novas responsabilidades. Entender essas mudanças evita surpresas.

Entre as principais alterações, estão:

  • Obrigações fiscais mais completas, conforme o regime tributário.
  • Contabilidade obrigatória, na maioria dos casos.
  • Definição de pró-labore para os sócios.
  • Emissão de notas fiscais com regras diferentes do MEI.
  • Maior estrutura legal e financeira para crescimento.

Apesar de parecer mais complexo, esse passo traz mais controle e previsibilidade.

ME ou EPP: qual faz mais sentido?

Após sair do MEI, a empresa pode se enquadrar como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), dependendo do faturamento.

De forma resumida:

  • A ME atende empresas em estágio inicial de crescimento.
  • A EPP é indicada para negócios com faturamento mais elevado e estrutura maior.

A escolha depende de:

  • Limites de faturamento previstos em lei.
  • Tipo de atividade exercida.
  • Projeções de crescimento do negócio.

Essa definição deve ser feita com análise, não por padrão.

Regimes tributários após o MEI

Ao deixar o MEI, a empresa passa a escolher um regime tributário mais adequado à sua realidade. Essa decisão impacta diretamente o quanto será pago em impostos.

Simples Nacional

É o regime mais comum para empresas que estão saindo do MEI, pois unifica tributos em uma guia. Ainda assim, as alíquotas variam conforme atividade, faturamento e folha de pagamento.

Lucro Presumido

Pode ser vantajoso em alguns cenários, especialmente quando a margem de lucro é maior e a estrutura permite esse enquadramento.

Lucro Real

Costuma fazer sentido apenas em situações específicas, exigindo controle contábil rigoroso.

Cada regime tem regras próprias, e a escolha correta evita pagamento excessivo de impostos.

Vou pagar mais imposto ao migrar?

Esse é um dos maiores mitos sobre sair do MEI. Migrar não significa automaticamente pagar mais imposto.

Na prática, o que faz diferença é:

  • Planejamento tributário adequado.
  • Escolha correta do regime tributário.
  • Enquadramento correto do CNAE.
  • Definição adequada de pró-labore e distribuição de lucros.

Em muitos casos, empresas que migram com planejamento passam a pagar valores mais equilibrados, com mais segurança e menos risco.

Passo a passo da migração

A migração do MEI deve ser feita de forma planejada, respeitando etapas claras para evitar erros e retrabalho.

O processo costuma envolver:

  • Diagnóstico do cenário atual da empresa.
  • Definição do novo porte (ME ou EPP).
  • Escolha do regime tributário mais adequado.
  • Ajustes cadastrais e legais junto aos órgãos competentes.
  • Início da contabilidade completa.

Com acompanhamento profissional, a transição acontece de forma organizada e sem interrupções.

Quanto tempo leva a migração

O prazo varia conforme o município, a atividade e a situação atual da empresa.

Em média, a migração pode levar de alguns dias a poucas semanas. O que pode atrasar o processo inclui:

  • Pendências cadastrais.
  • Documentação incompleta.
  • Falta de planejamento prévio.

Antecipar a decisão e organizar as informações ajuda a evitar problemas.

Como fica a contabilidade depois

Após a migração, a empresa passa a ter uma contabilidade mais completa, o que traz mais clareza para a gestão.

Isso inclui:

  • Relatórios mensais organizados.
  • Cumprimento das obrigações legais.
  • Organização financeira mais clara.
  • Base estruturada para crescimento.

Essa nova fase permite decisões mais conscientes e menos improvisadas.

Erros comuns ao migrar do MEI

Alguns erros podem tornar a migração mais cara ou complicada do que o necessário.

Os mais frequentes são:

  • Esperar estourar o limite do MEI para agir.
  • Migrar sem planejamento tributário.
  • Escolher o regime errado por falta de análise.
  • Não organizar o financeiro antes da transição.

Evitar esses erros torna o processo mais tranquilo e previsível.

Perguntas frequentes sobre migração do MEI

Ao pensar em sair do MEI, é normal surgir uma série de dúvidas. Abaixo, respondemos às mais comuns.

Qual é o limite do MEI?

O limite é definido por lei e deve ser acompanhado de perto. Quando o faturamento se aproxima desse valor, o ideal é planejar a migração.

Quando devo migrar?

Quando o faturamento cresce de forma consistente, surgem novas demandas ou o MEI começa a limitar o negócio.

Qual imposto vou pagar?

Depende do regime tributário escolhido, da atividade e do faturamento. Cada caso exige análise.

Quanto tempo demora?

O prazo varia, mas costuma levar de alguns dias a poucas semanas.

Preciso mudar de contador?

Não necessariamente. O mais importante é contar com um acompanhamento que entenda o momento da empresa e planeje corretamente a migração.

Conclusão

Migrar do MEI não é um problema. É um sinal claro de crescimento. Com planejamento, essa mudança pode marcar o início de uma fase mais organizada, segura e lucrativa para o negócio.

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